Filme: Cidade de Deus - O Romance de guerra brasileiro

 


Título Original: Cidade de Deus

Diretor: Fernando Meirelles e Kátia Lund

Gênero: Crime | Drama

País: Brasil

Elenco: Alexandre Rodrigues (Buscapé), Leandro Firmino (Zé Pequeno), Phellipe Haagensen (Bené), Dadinho (Douglas Silva), Jonathan Haagensen (Cabeleira)

Data de Lançamento: 30 de Agosto de 2002

Nota IMDB: 8.6/10


Cidade de Deus, filme lançado em 30 de agosto de 2002, foi um grande sucesso no festival de Cannes do mesmo ano. Concorreu ao Oscar nas categorias de Melhor Diretor para Fernando Meirelles, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia e Melhor Edição. O filme completa 19 anos em 2021 e, mesmo após todos esses anos, ainda surpreende o público pela produção, seus filtros de cores, atuações e cenas muito bem elaboradas e gravadas. Quem não se diverte até hoje com a cena da galinha fugindo nos primeios minutos do filme? 

O filme começa contando a história do bandido Cabeleira (Jonathan Haagensen) e seus comparsas, juntos eram conhecidos como Trio Ternura. Começamos assistindo ao crescimento da comunidade Cidade de Deus, e o filme faz questão de mostrar também o surgimento da mílicia. Naquela época não tinha esse nome mas os atos de abuso e corrupção daquela época permanecem até hoje em um grau mais elevado, com chefe no executivo. 

O público acompanha a evoluçao dos dois personagens principais: Buscapé (Alexandre Rodrigues) e Dadinho (Douglas Silva). Nitidamente antagonistas, o conceito de bem e mal é evidenciado pela sequência de mortes realizadas por Dadinho. Enquanto Buscapé é apresentado como o garoto que "tem medo de levar tiro" e "não quer fazer trabalho pesado". Em um diálogo com o irmão, Buscapé diz: "eu só estudo porque não gosto de trabalhar fazendo força."

Cidade de Deus marcou a memória do público com frases clássicas como "Dadinho é o Caralho! Meu nome agora é Zé Pequeno". Eternizado nessa frase, o bandido Zé Pequeno (Leandro Firmino) é o bandido que "vive" para o trabalho, que não descansa e quer vencer a todos. O filme conta a história do funcionamento do tráfico de drogas dentro da favela para seu público estrangeiro e de classe alta fazendo analogia a estrutura de uma empresa. Criando no imaginário da elite a visão de que dentro da favela existem gênios que administram um negócio. O público comprou (e amou!) essa idéia até assitir Tropa de Elite. O império do tráfico, a grande empresa dos gêniais traficante é a grande ameça para todos, segundo o imaculado Capitão Nascimento. 

O bandido-legal é representado por Bené (Phellipe Haagensen), amigo de infância de Zé Pequeno, Bené é querido dentro da comunidade e é o único capaz de impedir os atos violentos de Zé Pequeno. Bené representa o bandido-zona-sul. Frequenta a praia, usa a roupa igual do "playboy" e namora uma menina de outro contexto social. É o bandido que tem escolha (!!??) porquê é mais "bondoso" que Zé Pequeno, e por isso mais apto a viver em sociedade.

Em meio a toda violência, o personagem Buscapé é o que mais se aproxima da realidade. O público acompanha o filme através da sua narrativa e vê um jovem que mesmo no meio agressivo da Cidade de Deus consegue ficar à margem, como observador, sem necessariamente se misturar. 

A "guerra" entre Zé Pequeno e Mané Galinha (Seu Jorge) é o climax. O público assiste com curiosidade as trocas de tiros, a rotina de corpos e sangue pelas escadas após o tiroteio. Mané Galinha é o personagem que representa a maldade como "fruto do meio em que vive". É vítima da violência e arrogância de Zé Pequeno, o grande gênio do mal.  A partir da metade do filme, esperamos com ansiedade a morte de Zé Pequeno e o público é pego de surpresa ao ver os autores dos tiros que matam Zé Pqueno. 

O final do filme evidencia a corrupção da polícia, o medo de Buscapé em denunciar o ato em flagrante da polícia recebendo dinheiro do tráfico e as crianças - Os Caixa-Baixa - matando Zé Pequeno com frieza. Novamente assistimos ao mal genuíno. Assim como Dadinho era naturalmente mal, as crianças do Caixa-Baixa também eram e o filme parece deixar a mensagem de que nada pode ser feito quando se nasce com essa índole. 

Clássico absoluto do cinema brasileiro, Cidade de Deus é o nosso romance de guerra. 

Nota do Cena de Cinema: 8.6/10 - Concordamos com o IMBD !!

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