Filme: O Auto da Compadecida - Um filme para toda a família brasileira


Título Original: O Auto da Compadecida

Diretor: Guel Arraes

Gênero: Comédia

País: Brasil

Elenco: João Grilo (Matheus Nachtergaele), Chicó (Selton Melo), Dora (Denise Fraga), Capitão Severino de Aracajú (Marcos Nanini ), Padre João (Rogério Cardoso), Bispo (Lima Duarte), Major Antônio Moraes (Paulo Goulart), Fernanda Montenegro (A compadecida), e outros. 

Data de Lançamento: 10 de Setembro de 2000

Nota IMDB: 8.6/10


O Auto da Compadecida é baseado na peça de Ariano Suassuna. Lançado em setembro de 2000, o filme é dirigido por Guel Arraes, e se tornou um clássico do cinema brasileiro e da TV aberta. Leve, descontraído e muito, mas muito regional, o filme é para ser visto e revisto por toda a família em uma tarde de domingo. 

As atuações de Matheus Nachtergaele e Selton Melo como a dupla João Grilo e Chicó é marcante e excelente. Logo no início do filme assistimos o desdobramento da dupla para ganhar algum dinheiro e sobreviver. Destaque também para as atuações de Denise Fraga como Dora e Marco Nanini como Capitão Severino de Aracajú. 

De forma bem humorada, o filme mostra a hipocrisia dos padres católicos interpretados por Rogério Cardoso (Padre João) e Lima Duarte como Bispo. A fé é mostrada nas cenas finais do filme após a morte de João Grilo. A romaria no céu, os elementos de bem e mau interpretados por Fernanda Montenegro como A compadecida (Nossa Senhora) e o diabo interpretado por Luis Melo é um retrato das crenças brasileiras. O filme também faz uma provocação ao mostrar Jesus negro (Maurício Gonçalves). O preconceito brasileiro é mostrado quando João Grilo diz que "pensava que Jesus era menos queimado". Essa cena em particular é ótima pois o Bispo repreende João Grilo enquanto esconde a própria surpresa ao se deparar com um Jesus negro. Também é retratado no filme o "coronelismo" típico das regiões no interior do país. A figura do coronel Major Antônio Moraes (Paulo Goulart) mostra o poder regional e a estrutura hierárquica nessas regiões podres do país. 

O Auto da Compadecida é um filme regional. As gírias, o maneirismo na fala dos personagens é algo que somente quem é brasileiro consegue de fato compreender. É muito comum no cinema brasileiro essas produções que retratam a vida em regiões remotas do Brasil. Dificilmente uma produção como esta chegaria a um público estrangeiro e teria destaque. Os personagens e as situações poderiam se perder ou até mesmo ser incompreensível para o público médio de outro país. Não cheguei a ver o filme em inglês e tenho dúvidas de como a fala dos personagens seria traduzida ou se perderia a essência. 

O cenário do filme é todo ambientado no sertão. As cenas são teatrais e excelentes, exigindo dos atores muita dinâmica de filmagem e posicionamento. A direção de Guel Arraes acertou em cheio na montagem das cenas e a escolha do elenco foi muito certeira com atores consagrados e de muita qualidade. Como resultado, O Auto da Compadecida é um excelente filme regional brasileiro e um belo trabalho para a representação cinematográfica da peça de Ariano Suassuna. 

Nota do Cena de Cinema: 9,0/10

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